Descubra quanto você paga de juros ao parcelar uma compra no cartão, carnê ou crédito pessoal
Quando você parcela uma compra, a instituição financeira aplica juros compostos sobre o valor total. Diferente dos juros simples, nos juros compostos os juros de cada mês incidem sobre o saldo devedor atualizado — incluindo os juros dos meses anteriores. É por isso que o custo real do parcelamento costuma ser muito maior do que parece à primeira vista.
A fórmula utilizada é a Tabela Price (sistema de amortização francês), o padrão do mercado brasileiro para parcelamentos. Nela, as parcelas são fixas, mas a composição de cada parcela muda ao longo do tempo: nas primeiras parcelas você paga proporcionalmente mais juros e menos do valor principal; nas últimas, é o inverso.
A fórmula da Tabela Price é: PMT = PV × i ÷ (1 - (1 + i)^-n), onde PMT é o valor da parcela, PV é o valor presente (preço à vista), i é a taxa de juros mensal e n é o número de parcelas.
Imagine que você quer comprar um produto de R$ 2.000 e parcela em 12 vezes no cartão de crédito com taxa de 3,5% ao mês. Usando a Tabela Price, cada parcela sai R$ 206,65. O total pago será R$ 2.479,80 — ou seja, você paga R$ 479,80 só de juros. Isso equivale a quase 24% a mais do que o preço à vista.
Se o mesmo produto fosse parcelado em 24x com a mesma taxa, cada parcela seria R$ 127,14, mas o total pago chegaria a R$ 3.051,36 — mais de R$ 1.000 em juros. O número de parcelas faz enorme diferença no custo total.
Maquininha/Loja (1,5% a 2,5% a.m.): quando o lojista ativa a opção "repassar taxas", a taxa MDR é cobrada do cliente. Comum em PagSeguro, Stone, Cielo e Rede. É a modalidade com juros mais baixos porque o risco de inadimplência é menor.
Cartão de Crédito (3% a 5% a.m.): a taxa média de parcelamento na fatura é de 3,5% ao mês, equivalente a cerca de 51% ao ano. Varia conforme o banco emissor, o limite do cartão e o perfil de crédito do titular. Bancos digitais como Nubank e Inter costumam ter taxas ligeiramente menores.
Carnê/Crediário (5% a 7% a.m.): lojas como Casas Bahia, Magazine Luiza e Riachuelo oferecem crediário próprio com taxas entre 5% e 7% ao mês. O atrativo é a aprovação mais fácil (aceita negativados), mas o custo é significativamente maior.
Crédito Pessoal (5% a 12% a.m.): a modalidade mais cara do mercado. Bancos tradicionais cobram entre 5% e 8%, enquanto financeiras menores podem passar de 10% ao mês. A exceção é o crédito consignado, que tem taxas de 1,5% a 2,5% por ser descontado diretamente do salário.
Nos juros simples, a taxa incide sempre sobre o valor original. Por exemplo, R$ 1.000 com 5% ao mês de juros simples rende R$ 50 por mês, sempre. Em 12 meses, o total seria R$ 1.600.
Nos juros compostos (usados em todas as operações financeiras do Brasil), os juros incidem sobre o saldo atualizado. Os mesmos R$ 1.000 a 5% ao mês compostos se tornam R$ 1.795,86 em 12 meses — quase R$ 200 a mais do que nos juros simples. Quanto maior o prazo, maior a diferença entre os dois sistemas.
Negocie a taxa: muitas lojas e bancos aceitam reduzir a taxa se você pedir. Um simples telefonema para a central do cartão pode conseguir taxas menores.
Reduza o número de parcelas: quanto menos parcelas, menos juros. Parcelar em 6x em vez de 12x pode economizar centenas de reais.
Compare o CET: o Custo Efetivo Total inclui juros, tarifas, seguros e IOF. Duas ofertas com a mesma taxa de juros podem ter CETs muito diferentes.
Considere pagar à vista: use nossa calculadora À Vista ou Parcelado para descobrir se o desconto à vista compensa mais do que parcelar.